A Pedagogia Waldorf, criada pelo filósofo e educador Rudolf Steiner no início do século XX, muitas vezes é acompanhada por explicações complexas e mitos que acabam confundindo os interessados neste método de ensino. 

Na entrevista para o podcast Beabá da Educação, pela Band Jornalismo, as pedagogas Fernanda Martins Fontes e Florência Guglielmo, docentes da EWRS, tiram algumas dúvidas e explicam de modo simples os pontos mais importantes da pedagogia que possui o maior número de escolas distribuídas pelo mundo.

Trazemos aqui um resumo dos respostas trazidas nessa entrevista, mas vale a pena assistir na íntegra! 

O que é a Pedagogia Waldorf?

A Pedagogia Waldorf se trata de uma proposta baseada na adaptação da metodologia de ensino e do currículo à faixa etária de cada criança, respeitando os tempos de amadurecimento das crianças e jovens; uma de suas características marcantes é o elemento artístico, presente em todo o processo de educação, trazido tanto como disciplina curricular como no modo em que os docentes apresentam os conteúdos aos estudantes.

Por que Rudolf Steiner é comumente citado no meio esotérico?

O austríaco trouxe a noção de um ser humano concebido com uma parte corporal, uma parte alma (que podemos chamar de parte psíquica ou o nosso mundo interior) e uma espiritual. As palavras escolhidas por ele trazem esse ar esotérico aos seus estudos.

Steiner propôs um modelo de educação que leve em conta o ser humano por inteiro, incluindo corpo, alma e espírito. Educar o ser humano de modo integral para que ele seja bem-sucedido e tenha ferramentas cognitivas, sociais e emocionais bem trabalhadas, independente da área escolhida para a vida profissional.

Os alunos de escolas Waldorf seguem carreiras artísticas?

Apesar de existir um mito de que a maioria dos alunos formados em escolas Waldorf caminham para a carreira artística, uma pesquisa feita em 2007 mostrou que:

– 100% dos alunos entrevistados prestou vestibular

– 68% entrou em faculdades bem cotada

– 98% concluíram a graduação

– 12% escolheram carreiras artísticas

– 99% está no mercado de trabalho

– 84% não experimentou prejuízo na capacidade de prestar vestibular ou entrar no mundo competitivo.

Estudantes da EWRS em apresentação no VI Encontro de Orquestras de Escolas Waldorf, 2023
Estudantes da EWRS em apresentação no VI Encontro de Orquestras de Escolas Waldorf, 2023

É verdade que não existem provas na escola Waldorf?

Apenas até um certo momento da vida escolar. Diferente das escolas conteudistas tradicionais,
o esforço durante toda a Educação Infantil e Ensino Fundamental I é para o trabalho coletivo, criando as possibilidades e experiências que proporcionam a interação e cooperação entre estudantes e com seus professores. A avaliação é contínua e os boletins são descritivos, incluindo não só a capacidade de assimilação do estudante para o conteúdo ensinado como outros aspectos socioemocionais da criança.

É verdade que o uso de tecnologia é proibido na Pedagogia Waldorf?

Se levarmos em conta que a essa pedagogia tem a missão de trabalhar para que o jovem se torne adulto pronto para a vida futura, e a tecnologia faz parte do momento presente, a partir do 9º ano, os estudantes podem, sim, usar o celular no ambiente escolar em momentos de pausa, apesar da tela não fazer parte das matérias propriamente ditas.

Mais importante do que poder utilizar um smartphone  um jovem precisa entender o funcionamento dos dispositivos tecnológicos. No Ensino Médio, a matéria de tecnologia surge com estudos de sistemas analógicos, até chegar, no penúltimo ano escolar, na programação de sistemas e robótica, quando os estudantes construirão algumas máquinas e utilizarão a impressora 3D. Com isso, o jovem tem a visão não só do uso, mas do funcionamento destas ferramentas. 

E na Educação Infantil e Ensino Fundamental?

Antes de saber mexer em uma tela, a criança pequena precisa se apropriar de si e explorar suas potencialidades. Ela só poderá conquistar autonomia corporal, cognitiva e emocional experimentando e interagindo com seu corpo e o mundo que a cerca. Diversas pesquisas das mais diferentes áreas de saúde apontam para o fato de que as telas atrapalham essa curiosidade e, por isso, nossa escola desaconselha o uso de tecnologia para crianças até o final do Ensino Fundamental I

A partir do EFII, a escola aconselha que a introdução do uso feito de modo pessoal seja com parcimônia e cuidado.

Assista ao podcast e se aprofunde sobre os pontos levantados neste artigo: